Você já soltou pipa? Há um ditado que diz: “Sem a oposição do vento, a pipa não consegue subir.” E como é terrível tentar soltar pipa em dia sem vento. Nesses dias não saímos do tentar, porque conseguir que é bom, nada!

E quantas vezes não somos pipas? Quantas vezes não agimos impulsionados por uma oposição? Voamos alto quando há vento, daqueles que incomodam bastante, mas em dias calmos, nos acomodamos e não subimos por nada. Por mais bela que seja a nossa rabiola, não vamos subir sem vento, porque ele é extremamente fundamental para o nosso movimento.

Mas se só houvesse o vento, a pipa iria embora. É preciso uma linha que a mantenha junto ao chão com o seu operador. Esta também existe em nós. São aquelas coisinhas que nos prendem ao nosso estado atual, e nos mantêm acomodados diante dele.

Imagine agora uma pipa cuja linha é uma corrente de ferro. Acho que o vento teria que ser muito forte para fazê-la subir. E quantas correntes não têm nos segurado e nos mantido sem movimento? Algumas se chamam orgulho, outras timidez, medo, ansiedade, vergonha, comodidade, preguiça, egoísmo, etc…

E estes ventos? Podem ser o desemprego, uma doença, a necessidade de adquirir conhecimento, a de ter um companheiro, a falta de água ou luz, o aquecimento global ou olhar carente de uma criança que não se alimenta a dias. Os ventos são muitos, e geralmente não deixam de nos cercar.

Por que então não agimos frente a tantas oposições? Talvez nossas linhas não são linhas, mas correntes pesadas que nos acomodam e pedem ventos fortes para nos movimentar. Por isso muitas vezes agimos em casos extremos. Podemos evitar muitos ventos, mas deixamos que eles se tornem ciclones.

O problema é que a chance de uma pipa sobreviver a um ciclone é praticamente nula, tão nula como as nossas chances de agir sobre estes muitos ventos depois que eles já se encontram fortes de mais.

Então, solte sua linha e permita-se voar longe em poucos ventos.