ago 19, 2007 - Viagens    1 Comment

Ainda bem que foi à noite!

Você já fez algo sem querer, que se soubesse o que estava fazendo não teria feito? Compliquei? Ok. Algo do tipo, comer algo e só descobri o que era depois, e então pensar “nossa, se eu soubesse não tinha comido isso!”. Entendeu? Então… já fez ou se sentiu em uma situação como essa?

Bem, eu já me senti assim algumas vezes. Uma delas foi quando fui, com alguns jovens de minha igreja, subir o Pico da Bandeira. Para quem não conhece este lugar, ele é o terceiro ponto mais alto do Brasil (2.892 metros de altitude) e localiza-se na Serra do Caparaó (divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo).

Acontece que o trajeto não é simples, pelo menos na época em que eu fui – era mês de julho. Estava bastante frio, e eu tive que vestir 3 calças e 3 blusas de frio, mais um casaco que minha tia trouxe dos EUA para me emprestar. Os pés estavam calçados com duas meias, uma sacola plástica e um tênis. Nas mãos usava luvas trazidas também por minha tia, e na cabeça uma toca que deixava a mostra apenas olhos e boca. Carreguei também uma mochila com um bocado de biscoitos, uma penca de banana e uma porção de chocolates. Já deu pra perceber que tudo que eu vestia e carregava pesava mais que eu.

Pois é, mas essa não foi a parte tensa do passeio. A parte tensa foi que minha lanterna deu defeito, estávamos subindo bem de noite, para chegarmos lá em cima antes de o sol nascer. Resultado – subi o pico da bandeira sem ver um palmo à frente do nariz.

Estava muito frio, o percurso era muito cansativo, e não enxergávamos nada. Chegou um momento em que eu e mais quatro amigos sentamos e desistimos de continuar. Esperaríamos o sol nascer ali mesmo, um lugar que nem sabíamos onde era. Em alguns minutos passou por nós um senhor que auxiliava todo o grupo, e nos fez levantar e continuar.

Depois de muitas horas de dificuldades, as quais você talvez nem imagine, chegamos lá em cima, e vimos o espetáculo do sol nascer. Uma das visões mais lindas que já tive em toda minha vida. Só que a volta me causou tremenda surpresa. Durante a noite, em meio à escuridão, eu não me dava conta de onde pisava, e dos perigos que o caminho apresentava. Na volta, com o sol iluminando nosso caminho, as coisas eram bem diferentes. Pensei comigo mesma, se tivesse que FAZER o caminho de manhã, vendo todas essas dificuldades, eu não subiria nunca, e consequentemente não teria o prazer de contemplar tudo que vi.

Se tirei alguma lição? Pra variar, sim! Às vezes estar cego para as dificuldades é o que nos permite presenciar os espetáculos da vida!

1 Comment

Got anything to say? Go ahead and leave a comment!