De olho
No Comments Dificuldades em concluir curso na UFES
Após toda liturgia envolvida em minha manhã de domingo, resolvi pegar os jornais do final de semana para dar uma olhada em como andavam as notícias sobre as cotas na UFES. Qual não foi minha surpresa quando li o título da reportagem: “Concluir o curso é tão difícil quanto passar no VestUfes”.
Sintetizando a matéria, ela fala da dificuldade que alunos oriundos de escola pública têm em concluir o ensino superior, por conta dos gastos com livros e passagem. Fala também da pequena quantidade de cursos que são oferecidos no período noturno, o que impossibilita muitos estudantes trabalhar durante o curso.
Fiquei muitíssimo grilada com essa reportagem. Conversando com minha mãe, lembramo-nos da minha escola de ensino médio. Lá havia muitos estudantes bolsistas, que enfrentavam tremenda dificuldade de comprar as apostilas e pagar a passagem. Pensei em como eles também teriam essa dificuldade ao estudar na UFES.
Fui bolsista durante todo o meu ensino médio. Meu pai é muito rigoroso com orçamento familiar, e graças ao orçamento dele, consegui terminar meu ensino médio lá – algumas vezes usei apostilas que tinham sido usadas por outras pessoas. Hoje, juntamente com muitos amigos, tenho dificuldades em dar conta de xerocar todo material que preciso, de bancar minha passagem de ônibus e minhas refeições, já que passo 6 – 7 horas por dia lá.
O que mais me incomodou nessa reportagem, é que muita gente como eu, seria extremamente prejudicada com esse sistema de cotas. Fiz ensino médio comum, sem cursinho. Não passei de primeira. Trabalhei o ano seguinte e fiz cursinho. Chegava em casa à noite muito cansada, e estudava até altas horas. Alguns dias era chegar, comer e dormir, pois não tinha corpo nem para estudar. Ao final desse ano estressante consegui ser aprovada no Vestibular. Nessa época já se falava em cotas, e isso me assustava, pois seria um esforço de anos, meu e dos meus pais em vão.
Como já disse em Atestado de incompetência é uma luta de cursinhos. Quem não passou por um está com as chances quase nulas. Tudo graças ao pequeno número de escolas públicas e à péssima qualidade que as poucas que existem têm. A quantidade de escolas públicas é insuficiente para atender à população, e sua qualidade vergonhosa. Não fosse assim, as particulares estavam falidas, pois não haveria necessidade de famílias economizarem o que não têm, em busca de um pouco de instrução.