jul 14, 2008 - De olho    2 Comments

Morador de rua passa em concurso público – E agora? Quem defenderá as cotas?

Essa história de cotas nas universidades já deu pano para a manga, até aqui no blog. Contudo, hoje, assistí a uma reportagem no Jornal Hoje, que me fez pensar “E agora? Quem defenderá as cotas?”.

Trata-se da história de um rapaz que morou na rua durante 12 anos, por vezes passou fome e as demais dificuldades que advém de viver nas ruas, mas que passou em um concurso público do Banco do Brasil. Hoje ele vive uma tremenda novidade – seu primeiro dia de trabalho – após deixar para trás 19 mil brasileiros que concorreram com ele.

Não! Ele não precisou de cotas, e nem de cursinho! Estudou sozinho para o concurso, o qual via como uma saída para vida que levava. Mostrou ao Brasil inteiro que sonhar e agir faz diferença! Uma exceção?? Talvez. Mas, o que o torna uma exceção??

Continuo a me perguntar. Quem defenderá as cotas a partir de agora? Que argumento terá? Por que jovens negros que vivem debaixo de um teto e fazem ao menos uma refeição ao dia teriam menos chances de aprender do que este rapaz que inicia hoje uma nova vida? Não é desacreditar demais da capacidade desses jovens, supor que eles precisem de cotas para realizarem seus sonhos?

Por que não pensar que eles só precisam de uma chance, e que esta pode ser criada por eles mesmos se o governo não o faz através de uma rede educacional pública de qualidade? Ubirajara (o ex-morador de rua) estudou sozinho dentro de uma biblioteca, e chegou onde milhares de brasileiros não conseguiram. Sei que não se bate o martelo aqui, quanto ao assunto “Cotas nas Universidades”, mas talvez este rapaz tenha criado um marco na história de muitos jovens que sem perspectivas acabam desistindo de seus sonhos e se agarrando a projetos segregacionistas, como o das Cotas.

2 Comments

  • Também não acho que as cotas resolvam os problemas de exclusão que defendem. Pelo contrário, criam mais preconceito ainda. Também sou morador de rua, e busco obstinadamente meus sonhos, sem relaxar. Larguei casa, família, minha cidade, conforto, namoradas, vida social em prol do meu sonho. Acredito em mim e nos meus potenciais, por isso não aceito menos daquilo a que vim nessa vida. Não me conformo. Sou orgulhoso e principalmente, obstinado. Sou assim. Ubirajara é assim. Ele ficou por 12 anos nas ruas, e eu estou caminhado pros 5 anos. Mas, apesar de sonhos diferentes, somos superadores e não queixadores inertes. Agimos, nos qualificamos, mesmo com todas as caras e bocas que temos que enfrentar no dia a dia. Sou Carlos de Albuquerque, de metal, aço e água. Somos como já disse, superadores. Não esperamos o lindo e o maravilhoso do dinheiro. Na falta dele, colocamos 90% do pouco do que aparece, nas ferramentas pra nossa ascenção, e 10% ou menos na nossa barriga.

    É isso!!!!!!

  • Ei Carlos! Obrigada pela visita!!

    Acredito que centenas de brasileiros possuem histórias que joguem por terra a idéia de cotas como solução!!

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