Nossas deficientes soluções

Em meu momento de estudos, hoje, enquanto lia um artigo sobre Qualidade de Vida, me deparei com o seguinte texto:

A propósito disso, Fleck et al. ( p. 20) assinalaram que “a oncologia foi a especialidade que, por excelência, se viu confrontada com a necessidade de avaliar as condições de vida dos pacientes que tinham sua sobrevida aumentada devido aos tratamentos realizados, já que, muitas vezes, na busca de acrescentar anos à vida, era deixada de lado a necessidade de acrescentar vida aos anos.” Seidl & Zannon, 2004, p. 581.

… na busca de acrescentar anos à vida, era deixada de lado a necessidade de acrescentar vida aos anos. Essa frase, em especial, me chamou a atenção, e me fez pensar em quão deficientes são as soluções que, muitas vezes, encontramos para nossos problemas.

Na citação acima, o autor fala especificamente do caso da oncologia, que na tentativa de prolongar a vida do paciente acaba prolongando a existência, mas, não necessariamente, a vida. Mas meus pensamentos foram além do campo da oncologia… não estariamos nós resolvendo muitos de nossos problemas dessa forma também. Nossos problemas financeiros, familiares, acadêmicos, profissionais, etc.. são resolvidos de fato ou apenas geram um problema diferente, disfarçado de solução?

Quando decidimos resolver nossos problemas conjugais, sem optar pela via do divórcio, na tentativa de manter o casamento vivo, será que temos de fato resolvido o problema conjugal ou estamos apenas mantendo o contrato feito no cartório em vigor, enquanto a vida conjugal continua não existindo? Não estou defendendo o divórcio como solução, como também não defendo que a medicina deva desistir de práticas que prolongam a vida de alguém com uma doença grave como o câncer. A questão que levanto é: estamos conseguindo dar vida ao paciente oncológico ou estamos apenas garantindo algum tempo a mais de sua existência? Estamos conseguindo acrescentar anos de vida ao relacionamento conjugal sem dar vida a estes anos? Estamos resolvendo nossos problemas de verdade, ou apenas aparentemente?

Algo a se pensar, e agir! :D

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