O psicólogo, a bola de cristal e o mapa
De vez enquanto me encontro numa saia justa. Alguém me pedindo resposta de algo, simplesmente por ser eu uma estudante de psicologia. É engraçado, mas, desde que comecei o curso, as coisas que falo não são vistas como uma fala comum, mas como a fala de alguém que detém o conhecimento sobre o humano!
Desculpe se estou frustrando alguns amigos e conhecidos agora, mas felizmente as coisas não são assim!
Volta e meia alguém me pergunta: “por que as pessoas fazem isso?”, “Por que fulano escolheu aquilo?”, “o que eu faço quando estou em tal situação?”… e por aí vai. E o mais interessante não é nem a pergunta em si, mas as expressões faciais de quem as fazem. É um olhar que em si espera resposta. Um ouvido pronto a captar o menor ruído que eu possa emitir (tenho até medo de que capte meus pensamentos dizendo “eu não tenho bola de cristal”).
Na verdade (e esta, diga-se de passagem, é a verdade que eu acredito)… psicólogos (pelo menos os que eu considero bons) não funcionam como bola de cristal, nem detém todo o conhecimento a respeito do ser humano, e não são fontes de respostas certas.
Penso que bons psicólogos são aqueles capazes de formular as questões certas! Talvez lendo isso você lembre de algum dia ter ouvido falarem isso sobre bons mestres. Se já ouviu, a lógica é praticamente a mesma, mas neste caso são mestres na arte de viver. Não porque sabem mais ou vivem melhor, mas porque questionam com outros olhos e outras questões as formas como vivemos.
Não excluo aqui conhecimentos específicos de psicopatologias, sobre os quais não basta ter questões corretas. Mas é que não são perguntas desta ordem que ouvimos com freqüência nas ruas, nas conversas de MSN, nos e-mails, nas rodinhas de amigos, etc…
Se você faz uma pergunta a um psicólogo, é sinal que já venceu o medo de que ele descubra tudo sobre você (ou boa parte dele). Mas não procure um bom psicólogo simplesmente para que ele te dê uma receita de como transformar a vida em um mar de rosas. Por mais que ele saiba formas de melhorar algumas coisas (até porque como ser humano ele aprendeu isso em suas vivências) o ser psicólogo vai muito além disso.
Valorize as questões que fazem com que você mesmo crie suas soluções. Busque não um mapa, mas um guia que ilumine o caminho para que você mesmo descubra onde se encontra o tesouro.
rsssssss é mesmo Karyne, isso de fato acontece, as pessoas tem que saber que as respostas estão nelas próprias e não nas outras pessoas, o psicólogo ajuda nesta descoberta.
Até…
Adriana