Comportamento, Devaneios, Meus, Organizacional, Relacionamentos
No Comments Precisamos de famílias
Como você vê sua família? Que tipo de interesses e sonhos você possui em relação a ela? Que falta ela lhe faria hoje, se fosse tirada de você?
Acabei de ler o texto “Os filhos da revolução”, indicado pelo meu marido (Marquinh05), e indico que você leia também!
Achei fantástica a forma como o Ricardo expôs seus pensamentos organizacionais e familiares. Ao terminar de ler o texto, vieram à minha mente lembranças de minhas experiências organizacionais e familiares. Empresas em que já trabalhei, famílias que conheci… e cheguei à triste reflexão que originou as três perguntas iniciais deste post.
Se é comum encontrar empresas em que as relações são regidas pelo “princípio do interesse” (aquele princípio que faz com que supervisores demitam subordinados que potencialmente ameaçam tomar sua posição de chefia, que pessoas sejam tratadas como máquinas sem emoções, necessidades ou sonhos, e que benefícios que aparentemente procuram gerar qualidade de vida aos funcionários e sua família tenham como única finalidade a maximização dos lucros), afirmo, sem medo, que tem se tornado muito comum, também, encontrar famílias regidas por esse mesmo princípio.
E não é preciso realizar uma pesquisa científica para confirmar isso. Basta gastar poucos minutos conversando com as pessoas, e você encontra histórias de casamentos realizados como verdadeiros contratos comerciais, filhos que têm como único prazer e interesse familiar a perspectiva de herdar o patrimônio dos pais, pais que olham para os filhos como “um bom negócio” ou uma “fonte de renda” sem sequer envolver-se afetivamente com eles, entre outros diversos casos.
A ideia de inserir conceitos de família dentro do ambiente organizacional é fantástica, e tem meu apoio (se é que ela carece do meu apoio). Mas, que conceito é esse? O conceito de família hoje é tão confuso, tão influenciado pelo materialismo, pelo instantâneo e pelo “princípio do interesse”, que dependendo do empresário que eu fosse orientar, conhecendo sua família, nunca sugeriria a ele que inserisse seu conceito de família em sua empresa. Existem ótimos patrões que são péssimos pais, maridos e filhos, e que caso tentassem aplicar seu conceito de família em suas empresas, tornariam a vida de seus funcionários um verdadeiro pesadelo, como faz em sua casa!
Precisamos de famílias que não sejam empresas (e me refiro às empresas “perversas”, pois não nego a existência de ótimas empresas que são verdadeiras famílias). Precisamos de famílias que voltem a compreender o que significa amor, almoço de domingo, ceia de natal, viagem de férias… sabe, essas coisas que pessoas “bregas” e “antiquadas” fazem motivadas por uma razão que se permite associar à emoção! Precisamos de pais que ajudem os filhos no dever de casa, que contem histórias para eles dormirem e que consigam conversar um com o outro por mais de 5 minutos sem achar enfadonho. Precisamos de filhos que vejam os pais como verdadeiros heróis, que se orgulhem de ir ao shopping ou a uma festa na companhia dos pais, e que perguntem a opinião deles antes de tomar decisões.
Precisamos de famílias que um dia possam ensinar algo às empresas! Precisamos de famílias!