Passamos diariamente por centenas de pessoas. Quantas delas com fones do ouvido? Você também anda com um fone pendurado?
Quando essa moda de MP3 começou, eu refleti um pouco sobre isso. Será que nos tornaríamos mais individualistas agora que podíamos ouvir algo que uma pessoa a 30 cm de nós não poderia? As conversas deram espaço às centenas de músicas arquivadas em um pequeno aparelho. Mais uma vez a tecnologia estaria afastando o homem de seu social?
Há alguns meses entrei em um ônibus. De repente ouvi uma música sertaneja tocando alto dentro do coletivo. Quando descobri a origem… era um senhor de uns 60 anos com um radinho à pilha daqueles que não tem nem lugar para fone de ouvido. Interessante que ele estava feliz da vida, ouvindo e compartilhando com todos de suas melodias certanejas.
Hoje, novamente em um ônibus, ouço uma música. Na verdade, algo que chamam de música, mas que para mim está longe de ser. Desta vez era uma moça de uns 17 anos com uma amiga de idade parecida ouvindo músicas em um celular. Penso que elas acharam que estavam em uma danceteria, porque apesar de estarmos espremidos no ônibus elas ainda tentavam alguns passos. Eu estava morrendo de dor de cabeça (a propósito, hoje estou passando muito mal), e tive muita vontade de pedir para ela ao menos abaixar o volume. Será que elas nunca ouviram falar em fone de ouvido?
Bem… a história do senhor foi até cômica, mas essas das meninas, hoje, foi irritante e me fez pensar na falta de bom senso que muita gente tem ao usar a tecnologia. Assim como muitas pessoas usam mal a internet, invadindo a privacidade alheia e causando mal aos outros, alguns detalhes de nosso dia-a-dia também podem estar violando o espaço alheio como os audios que nós ouvimos e forçamos os outros a ouvirem também.
Apesar de ser uma das tarefas mais difíceis para a humanidade, acho que seria sensato buscarmos o equilíbrio no que tange ao efeito da tecnologia nas relações sociais. Isolar-se do mundo ao colocar um fone no ouvido não é muito legal, mas incomodar quem está por perto com um rádio portátil que às vezes funciona como um celular não é nada educado. Ambos os comportamentos afetam nossas relações, contudo, entre agredir o espaço de alguém e fechar-se em seu próprio espaço, sugiro a segunda opção!
Bom senso é de graça e faz bem!!
Karyne nasceu e mora no ES. É brasileira antes, durante e depois da Copa, e apaixonada também pela cidade de Santiago – Chile.
Formou-se no Curso Fundamental de Música pelo Conservatório Brasileiro de Música Centro Universitário / Conservatório de Música de Vila Velha e, atualmente, cursa Psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo.
É Adventista do Sétimo Dia. Regeu o Coral Jovem de sua Igreja por dois anos, e hoje atua como pianista e diretora associada do Dep. de Música.
É apaixonada pelo namorado. Gosta de ficar com a família, namorar, cantar, dormir, escrever, comer, ler, passear, assistir filmes, ouvir música, rir, fazer amigos na internet… e viver.
Livros preferidos: Bíblia, O abraço de Deus, FREAKONOMICS e Lucíola.
Uma frase: “Descubra em que você é bom, e seja de propósito”
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