Com quantos algarismos se faz um homem?
Nós possuimos identidade, CPF, matrícula no colégio, matrícula na empresa, matrícula no cartão do coletivo, número de cartão de crédito, número na chamada da sala de aula, um número que representa o nosso coeficiente ao final de cada semestre/bimestre … número de ramal … acho que você consegue pensar em mais alguns números que carregamos conosco.
Nossa sociedade criou tantos números para cada pessoa, que muitas vezes deixamos de ser pessoas e somos apenas números. Alguns jogadores de futebol, volta e meia, deixam de ter nomes e têm suas jogadas narradas como “o camisa X fez…”. Você liga para uma empresa e ao perguntar algo à atendente, ela diz: “fale com o ramal xxx…”. Será que ela não sabe o nome da pessoa que atende naquele ramal?
Essas centenas de algarismos, muitas vezes, parecem causar uma objetivação do sujeito de forma que ele deixa de ter emoções, desejos e conflitos. Isso mesmo. Quando a pessoa tem algum problema com o cartão de crédito ou CPF, ninguém procura saber o que se passa com essa pessoa. Tudo com o que se importam é em bloquear aquele número e impedir suas transações.
Mais absurdo, mas não impossível, é que muitas vezes a pessoa pode deixar de existir e mesmo assim seu número continuar “vivo”. O mundo não dá conta de lidar com cada sujeito, então lidam com os algarismos que nos compõem.
O homem-número não é mais um super-herói de histórias em quadrinhos. Na verdade, ele se encaixa muitas vezes melhor na pele de vítima. Vítima de um anulamento de sua subjetividade e de seu existir.
Gostaria de entender de onde se tirou que podemos numerar as pessoas. Com que régua se mede um aluno para atribuir-lhe um número ao final de cada período letivo? Não há parâmetros concretos para tanta numeração. Acaba que o homem objetivado através destes algarismos incorpora o caráter abstrato e a forma invisível que tais algarismos possuem. Sente-se, no máximo, ao final das contas, apenas “+1″!
Karyne nasceu e mora no ES. É brasileira antes, durante e depois da Copa, e apaixonada também pela cidade de Santiago – Chile.
Formou-se no Curso Fundamental de Música pelo Conservatório Brasileiro de Música Centro Universitário / Conservatório de Música de Vila Velha e, atualmente, cursa Psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo.
É Adventista do Sétimo Dia. Regeu o Coral Jovem de sua Igreja por dois anos, e hoje atua como pianista e diretora associada do Dep. de Música.
É apaixonada pelo namorado. Gosta de ficar com a família, namorar, cantar, dormir, escrever, comer, ler, passear, assistir filmes, ouvir música, rir, fazer amigos na internet… e viver.
Livros preferidos: Bíblia, O abraço de Deus, FREAKONOMICS e Lucíola.
Uma frase: “Descubra em que você é bom, e seja de propósito”
Karyne via Rec6
abril 25th, 2008 at 1:15 am
Com quantos algarismos se faz um homem? O homem-número não é mais um super-herói de histórias em quadrinhos. Na verdade, ele se encaixa muitas …
Vinícius Mon Serrat
abril 25th, 2008 at 2:06 am
Parabéns pelo texto e pelo blog.
Passa lá no meu blog que tem surpresa pra vc =)
Grande abraço!
karyne
abril 25th, 2008 at 10:03 am
É triste pensar que muitas vezes somos tratados de forma tão reducionista!! Me incomodo muito com a idéia de ser mais uma! Não fui criada num processo de produção em massa!
Eduardo
abril 26th, 2008 at 4:57 pm
lauziene
abril 27th, 2008 at 3:16 pm
tmas tem um tipo de número que as vezes pode esteriotipar o caráter de uma pessoa, que é o número de cifras em sua conta corrente..ou o número de carros em sua garagem. As pessoas deveriam ser avaliadas (apesar de que, quem sou eu para avaliar algo ou alguém) de acordo com a sua índole, e não a quantidade de infestimentos em ilhas laranjas.
beijos
Nicole
abril 27th, 2008 at 5:17 pm
karyne
abril 27th, 2008 at 9:02 pm
Bom d+ receber sua visita! Pois é.. quantos de nossos pesadêlos não são cheios de números?
bjs
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É Lauzi! Acho que nossa mente se volta tanto para os algarismos e cifras, que as pessoas deixam de ser o que são para serem o que têm!
beijocas!
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Olá Nicole!
Concordo com você, que seja difícil pensar em nossa sociedade funcionando sem tantos números, mas… ao mesmo tempo penso que essa nossa dificuldade deriva nada mais nada menos, do fato de termos nascido em uma sociedade que nos numerou desde o ventre de nossa mãe.
Consegue pensar num mundo sem o mínimo de tecnologia? Quando nascemos ela já existia e por isso não conseguimos pensar em nossas vidas sem ela. Contudo, milhões de pessoas viveram antes de nós sem ter até mesmo energia élétrica! O raciocínio é mais ou menos o mesmo para o caso dos números!
Abraços, e obrigada por sua visita!
Anny
maio 11th, 2008 at 9:08 pm
Tudo tem dois lados né?
Quando prestamos atenção na quantidade de números aos quais estamos sujeitos, assusta. Mas por outro lado ordena, certo?
Seu texto é muito bom. Sabe que ainda não tinha prestado atenção até ler aqui? Pois é.
Abraços
karyne
maio 12th, 2008 at 5:55 pm
Td tem suas vantagens e desvantagens. Só que é bom refletirmos a que custo nossa sociedade tem se utilizado de certas vantagens, como a facilidade dos números.
bjinhus!
Obrigada por nos visitar!
zeli maria lauzi
setembro 25th, 2008 at 12:14 am
karyne
setembro 25th, 2008 at 12:45 am
Conheço não!