Passamos por dezenas, centenas e até milhares. Corremos, esbarramos, caminhamos e tropeçamos. Às vezes, vemos.

São elevadores lotados, o mesmo caminho para o trabalho, o mesmo padeiro, a mesma velhinha, o mesmo garoto… É outro porteiro, nem vi!

São ônibus abarrotados de gente, de cheiros, de vozes, de toques, atropelos e esbarrões. São os mesmos passageiros de ontem, anteontem e mês passado. Para onde vão? Não sei!

Os minutos passam, as horas passam, os dias passam… e as pessoas passam, também. Despercebidas.

Até que empurrem, esbarrem, reclamem do local apertado, da fila gigantesca do banco, do atraso do médico… do menino que pede esmola. Invisível também!

Mas são tocáveis, e isso os faz vistos, já que a correria é venda aos olhos. São tocáveis, por toques nem sempre dóceis. Mas geralmente se olham para pedir desculpas.

Pessoas que vemos todos os dias e não enxergamos. E continuaríamos sem enxergar não fosse a pele que denuncia a invasão de nosso espaço pessoal quando as loucuras do dia a dia enchem a lata de conserva com gente!

Invisíveis, mas tocáveis. Passíveis de serem vistos por olhos que não pensamos ter!