Essa história de cotas nas universidades já deu pano para a manga, até aqui no blog. Contudo, hoje, assistí a uma reportagem no Jornal Hoje, que me fez pensar “E agora? Quem defenderá as cotas?”.

Trata-se da história de um rapaz que morou na rua durante 12 anos, por vezes passou fome e as demais dificuldades que advém de viver nas ruas, mas que passou em um concurso público do Banco do Brasil. Hoje ele vive uma tremenda novidade - seu primeiro dia de trabalho - após deixar para trás 19 mil brasileiros que concorreram com ele.

Não! Ele não precisou de cotas, e nem de cursinho! Estudou sozinho para o concurso, o qual via como uma saída para vida que levava. Mostrou ao Brasil inteiro que sonhar e agir faz diferença! Uma exceção?? Talvez. Mas, o que o torna uma exceção??

Continuo a me perguntar. Quem defenderá as cotas a partir de agora? Que argumento terá? Por que jovens negros que vivem debaixo de um teto e fazem ao menos uma refeição ao dia teriam menos chances de aprender do que este rapaz que inicia hoje uma nova vida? Não é desacreditar demais da capacidade desses jovens, supor que eles precisem de cotas para realizarem seus sonhos?

Por que não pensar que eles só precisam de uma chance, e que esta pode ser criada por eles mesmos se o governo não o faz através de uma rede educacional pública de qualidade? Ubirajara (o ex-morador de rua) estudou sozinho dentro de uma biblioteca, e chegou onde milhares de brasileiros não conseguiram. Sei que não se bate o martelo aqui, quanto ao assunto “Cotas nas Universidades”, mas talvez este rapaz tenha criado um marco na história de muitos jovens que sem perspectivas acabam desistindo de seus sonhos e se agarrando a projetos segregacionistas, como o das Cotas.