Qual é a sua concepção de trabalho? Não o sentido da palavra enquanto vocábulo, mas o significado mais profundo enquanto parte de nossas vidas. Neste sentido… o que o trabalho significa para você??
Gosto de como Lívia Borges (1998) conceitua o termo “concepções de trabalho”:
“[...] o pensamento elaborado e articulado que oferece definições ao indivíduo sobre a posição que o trabalho deve ocupar em sua vida, o modelo ideal de trabalho definido por meio dos valores humanos e sua hierarquização, e uma leitura das características do trabalho concreto. São definições amplamente compartilhadas e são componentes ou parcelas da cultura; por isso, ao mesmo tempo que são apropriadas por muitas pessoas, mesclam-se de conteúdos abertamente declarados e de conteúdos implícitos. [...] Resultam de um processo de criação histórica, no qual o desenvolvimento e propagação de cada uma são concomitantes à evolução dos modos e relações de produção, da organização da sociedade como um todo e das formas de conhecimento humano. [...] associa-se a interesses econômicos, ideológicos e políticos, servindo como instrumento de justificação das relações de poder. [...] propagam-se pelas sociedades, por intermédio de vários agentes socializadores, destacando-se o próprio ambiente de trabalho (incluindo aí a gerência), o sindicalismo, as organizações educacionais, os governos, os partidos políticos, as organizações religiosas e a família.” (p.82)
Apesar de escrito a 10 anos atrás, penso que este conceito não perdeu sua validade! O significado que o trabalho tem em nossas vidas tem a ver com nossas experiências, nossa cultura social, familiar, política, econômica… e por aí vai. Para algumas pessoas pode parecer bobeira falar sobre isso. Elas podem pensar: “qual a importância em refletir sobre nossas concepções de trabalho? Quando eu nasci as coisas já eram assim!”.
Acontece que muitas pessoas sofrem por causa de suas concepções de trabalho, e outras conseguem viver alegrias pelo mesmo motivo. Para muitas pessoas, o trabalho possui uma posição central na vida. É o que o define como “ser alguém”. Geralmente, quando as pessoas se apresentam, há 3 itens em sua apresentação: nome, idade e profissão. Para quem não gosta de falar a idade, sobra apenas o nome e a profissão.
Eu estava em um grupo onde poucos se conheciam e precisávamos nos apresentar. Um senhor, ao se apresentar, começou falando sobre sua profissão, formação acadêmica, e suas expectativas em estudar aquele semestre com aquele grupo. Contudo, ele esqueceu de dizer seu próprio nome. Naquele momento pensei em como a profissão era importante para ele, como ela o definia, ao ponto de ser sua apresentação de si, substituindo até mesmo o próprio nome.
É devido (também) às concepções de trabalho que muitas pessoas entram em crise existencial ou depressão quando ficam desempregadas ou se aposentam. O trabalho era tão central em suas vidas, que não tê-lo mais deixa a pessoa sem chão e sem identidade. Infelizmente, este grupo significa a maioria de nós!
Qual o valor que o trabalho tem tido em sua vida? Será ele tão central para você, capaz de tornar-se sua própria definição de ser?
Karyne nasceu e mora no ES. É brasileira antes, durante e depois da Copa, e apaixonada também pela cidade de Santiago – Chile.
Formou-se no Curso Fundamental de Música pelo Conservatório Brasileiro de Música Centro Universitário / Conservatório de Música de Vila Velha e, atualmente, cursa Psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo.
É Adventista do Sétimo Dia. Regeu o Coral Jovem de sua Igreja por dois anos, e hoje atua como pianista e diretora associada do Dep. de Música.
É apaixonada pelo namorado. Gosta de ficar com a família, namorar, cantar, dormir, escrever, comer, ler, passear, assistir filmes, ouvir música, rir, fazer amigos na internet… e viver.
Livros preferidos: Bíblia, O abraço de Deus, FREAKONOMICS e Lucíola.
Uma frase: “Descubra em que você é bom, e seja de propósito”
Nadja
abril 14th, 2008 at 12:10 pm
ana
abril 15th, 2008 at 8:31 pm
Mas acho que é só uma fase, derivada de eu ser solteira.
karyne
abril 17th, 2008 at 1:17 am
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Eita Ana… como é que é a história de ser solteira? Bem.. uma coisa é certa, nós sempre arranjamos um jeito de suprir nossas “necessidades”, e muitas vezes os solteiros se enterram nos estudos ou trabalho até encontrarem alguém. Só é ruim quando essa mania workaholic se torna tão comum, que acabe impedindo a possibilidades de se ter um relacionamento amoroso!! rsrsr
Beijoks meninas!