Animal racional. Com apenas um adjetivo, milhares de crianças aprenderam desde pequenas a diferenciar o homem dos outros animais. Somos diferentes, somos racionais. Que orgulho!! Viva o homem!!! E todas as crianças da classe vibram com a tia, afinal, somos fantásticos.

A qualidade desde a infância ressaltada é também reprimida. Onde está a racionalidade quando se faz avaliações escolares que exigem nada mais nada menos que pobres reproduções do que algumas pessoas disseram? A criança não experiencia a natureza, mas sabe de cor os Reinos que ela contem. Não pensa nem se questiona sobre a ação do homem sobre nosso planeta, mas ouve horas de aulas expositivas que jorram conteúdos que um grupo de crianças, sentadas em círculo e discutindo o assunto com a professora, em alguns minutos, poderia deduzir.

Mas o mal proveito de nossa racionalidade não para por aí. Crescemos e a todo tempo aprendemos a questionar pouco, executar muito e pensar quase nada. Embora na Universidade as coisas mudem um pouco de configuração, o método de engessar o cérebro continua em vigor. São as mesmas reproduções e ‘decorebas’ da infância, mas agora com muito mais hipocrisia, aplicadas nada mais nada menos por quem às questiona. Poucos são os professores que descobrem formas de realmente ensinar.

Mas pra que ensinar a pensar, questionar, deduzir… se boa parte do mercado está interessado em empregados que não percam tempo questionando as formas, mas que executem as ordens? Poucos são os que selecionam mentes pensantes. Geralmente as empresas que contratam essas pessoas, são as que possuem uma tremenda demanda de mão-de-obra criativa. As que se satisfazem com meros robores não se interessam muito por essa característica.

Para que tanta ênfase, na infância, de que somos racionais, se não nos dão a liberdade de exercermos essa racionalidade? Podemos decorar História e sermos aprovados na disciplina, mas podemos estudar a mesma História e perceber os interesses em se manter uma massa não pensante. Feliz aquele que aprendeu a pensar a tempo!!!