A palavra maldita está na lista das coisas que não voltam jamais. Dizem que somos racionais, mas muitas línguas ainda não se convenceram disso. Elas trabalham incessantemente, apesar de termos uma boca e dois ouvidos, e esquecem que é preciso pensarmos antes que elas ajam.

O silêncio, ao contrário, tem um efeito que poucos experimentaram. Tudo bem que há momentos em que o silêncio é perturbador, mas geralmente ele nem se faz presente para que possa chegar a perturbar.

Vai me dizer que nunca se arrependeu de dizer algo?

Na faculdade, estudei com um colega que costumava dizer: “na dúvida, não se comporte!”. Não creio que não se comportar seria a melhor palavra, pois há momentos de dúvida que o que se tem a fazer é arriscar. Não fazer nada só vai ajudar a passar boa parte da vida imaginando o que teria acontecido se tivesse feito algo.

Mas palavras são diferentes, porque palavras faladas são escritas em locais que não se pode apagar. Acho muito próprio o provérbio que diz: “Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio.”

Já ouvi muita coisa que me fez desejar não entender português naquele momento. E já falei muita coisa que me fez desejar não ter língua também.

Quantos problemas seriam evitados se cônjuges estressados, chefes insatisfeitos, irmãos desentendidos, namorados magoados… optassem por ficar em silêncio? Essas situações e toda sorte de sentimentos ruins que sentimos não nos propiciam um bom contexto para falarmos. Nesses momentos, o silêncio é o melhor aliado para a resolução do caos.

Muita gente tem medo de optar pelo silêncio e não ficar com a última palavra, mas não tem medo de não agir com sabedoria. Optar pelo silêncio em detrimento da fala é difícil, mas quando nossas palavras não forem melhores do que ele, este se torna a melhor opção!