Quantas vezes já fui questionada sobre o que o psicólogo faz! Incrível é que quando dizemos que não somos “médicos de doido” como muitos pensam, aí as pessoas dizem: “Então vocês fazem o que?? São pagos só pra ficar ouvindo os problemas dos outros??”. De fato, muita gente procura psicólogo só para conversar mesmo, mas a profissão vai muito além de bla, bla, blas! Contudo, não é sobre isso que quero falar, mas de algo que está surgindo, cujo nome é Personal Friend.
Esta nova função, ou profissão (nem sei de que chamar), foi criada pelo professor da UBM, Silvério Veloso, 42 anos. A idéia começou quando percebeu que após as palestras que dava sobre empreendedorismo, muita gente vinha tirar dúvidas, contar casos e até desabafar. Segundo ele, as funções do Personal Friend é aconselhar sobre mudanças de atitude, despertar o comportamento empreendedor das pessoas para que realizem seus sonhos, e nada impede de ouvir desabafos e mágoas. Em suas próprias palavras à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios de novembro de 2007, “Eu alugo meu ouvido. Se a pessoa não aprendeu nada no encontro, pelo menos sai mais leve” (p. 24). O serviço inclui idas ao shopping, sair para tomar um chope, etc… ou seja, coisas de amigo. E o preço?? Ah… este serviço custa entre R$50,00 e R$300,00 a hora. E as pessoas procuram muito. Um outro Personal Friend, disse à revista que possui uma carteira de clientes com 135 pessoas cadastradas.
Esse serviço não possui nenhum vinculo com a psicologia, ressalta seu criador, mas ele pretende formar um grupo com psicólogos, preparadores físicos e outros profissionais para oferecer um apoio mais amplo. A demanda maior vem de clientes mulheres, mas os homens também procuram este serviço.
Resolvi buscar na internet mais algumas informações, e me deparei com 2 “currículos” em que as pessoas oferecem esse serviço. Num deles, o dono do “currículo” diz ser amigo profissional de forma Ética e Moral e cita um bocado de coisas que ele oferece, dessas que só fazemos com amigos. Mais a frente, em suas descrições de habilidades que o qualificam para o serviço, ele diz ser Vocacionado à Humanidade, e explica isso dizendo que tem formação de Padre e gosta de filosofia. Depois expõe sua vida pessoal, fala de sua experiência com casamentos, como pai, com outros trabalhos, e mais um monte de bla bla bla. No outro “currículo”, o cara se oferece para sair, conversar e se divertir, se enche de predicados, todos aqueles que buscamos em um amigo. Ambos dizem garantir o sigilo.
Fico pensando até que ponto isso é Ético e Moral como eles disseram ser. Penso que enquanto se trabalha como consultor, e daí cobre o valor de sua hora ao aconselhar empreendedores, e acabe ouvindo os problemas dessas pessoas, tudo bem! Quem não ouve problema de cliente? Não precisa ser psicólogo para isso. Advogado, gerente de banco, cabeleireira, manicure, garçom… uma série de outros profissionais ouvem os lamentos de seus clientes durante o seu serviço. Mas ainda não consegui engolir a idéia de cobrar para ir a uma praça, tomar um sorvete, fazer compras no shopping com alguém que se sente sozinho.
Muitas vezes em minha vida pensei que se eu cobrasse as horas em que passei no telefone ouvindo os problemas de meus amigos e tentando ajudar a solucioná-los, mais as vezes em que fui a diversos lugares em que pessoas que me conheciam pela primeira vez desabafavam como se me conhecesse a séculos, hoje seria uma das pessoas mais ricas do mundo. Afinal de contas, como vimos aqui, esse serviço não é barato. Mas até que ponto estaria oferecendo o que a pessoa precisa. Quem encomenda um bolo numa confeitaria para uma festa, por exemplo, quer um bolo para saborear e não um de isopor que apenas pareça ser um bolo. Quem se sente só, talvez queira realmente um amigo, e não um ouvido de aluguel. E só fazendo uma ressalva, talvez, pensar que psicólogos alugam o ouvido seja um dos motivos pelos quais muita gente não entende ou valoriza nosso trabalho.
Bem… cada um com a sua opinião! Tenho muita vontade de ser consultora, adoro ajudar as pessoas a pensarem sobre os problemas e resolvê-los, dar palestras e tirar dúvidas ao final, entretanto, vestir-me de pseudoamiga talvez esteja distante de mais disso! Mas, como nada que é humano me é estranho, talvez alguns Profissionais da Amizade possam realmente ser amigos de verdade.
Karyne nasceu e mora no ES. É brasileira antes, durante e depois da Copa, e apaixonada também pela cidade de Santiago – Chile.
Formou-se no Curso Fundamental de Música pelo Conservatório Brasileiro de Música Centro Universitário / Conservatório de Música de Vila Velha e, atualmente, cursa Psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo.
É Adventista do Sétimo Dia. Regeu o Coral Jovem de sua Igreja por dois anos, e hoje atua como pianista e diretora associada do Dep. de Música.
É apaixonada pelo namorado. Gosta de ficar com a família, namorar, cantar, dormir, escrever, comer, ler, passear, assistir filmes, ouvir música, rir, fazer amigos na internet… e viver.
Livros preferidos: Bíblia, O abraço de Deus, FREAKONOMICS e Lucíola.
Uma frase: “Descubra em que você é bom, e seja de propósito”
Karyne via Rec6
November 22nd, 2007 at 7:16 am
Quem não gosta de ter amigos?? Já pensou em pagar alguém para ser seu amigo, ouvir seus problemas e sair com você? Pois esta moda está pegando, e o serviço não é barato não! Confira!…
marquinh05
November 22nd, 2007 at 8:05 am
mas eu tenho [tenho de crer não de criar, ou ser minha] uma teoria que inclusive pode ser vista no próprio filme:
“forjar ser é extremamente diferente de ser!”
não acredito que um “amigo” possa suprir a carência de uma amigo. no filme vemos um dos clientes fazer tudo “errado” e se dar bem.
o Albert Brennaman (Kevin James), apaixonado pela milionária, Allegra Cole (Amber Valletta).
pra mim, fica claro no filme que ser autentico ainda que isso custe ser “patético”, é sempre a melhor estratégia.
não sei o quanto esses profissionais estão dispostos a ser realmente amigos de seus clientes, ou o quanto eles simulam um humor amistoso para ganhar o dinheiro, e ser aquele amigo dos sonhos que na verdade ninguém da vida real quer.
amigos precisam reclamar, esbravejar, as vezes até “magoar” precisam fazer o que for preciso para ver o bem do outro e não apenas o que lhe parecerá ser mais agradável…
enfim… tema polemico demais pra ser tratado por mim num simples comentário…
eu empolgo!!!

bjão minha lida!!!
post super sucesso!!!
Karyne
November 22nd, 2007 at 8:21 am
Amigos são muito mais que um par de ouvidos!! Talvez se essas pessoas usassem outro nome, como “acompanhates de aluguel” (para os pseudo amigos) ou “consultor de assuntos em geral” (para os que tem algo a dizer e orientar a pessoa), soaria melhor aos ouvidos.
Agora, apresentar-se como remédio a alguém que se sente sozinho??? Não sei, ainda está engasgado aqui! Do jeito que as coisas são, é capaz de eles até aceitarem ouvir reclamações, e serem “magoados” a custa do valor estipulado por hora!
Leonardo Cabral
November 22nd, 2007 at 9:49 am
Leonardo Cabral
http://aumentesuasvendas.blogspot.com
http://butecodocabral.blogspot.com
http://arsenaldigital.blogspot.com
karyne
November 22nd, 2007 at 10:44 am
Acho que torna-se mais do que consultoria a partir do momento em que veste uma roupagem de amizade! Se não for nada mais que consultoria, acho que seria interessante que mudassem o nome e muitas de suas ofertas de serviço!
Agora, em relação a consultoria, sou adepta, e consultora em breve!!!
William Dalla
November 22nd, 2007 at 12:09 pm
Abraço a todos
William Dalla
Mônica
November 23rd, 2007 at 1:27 pm
Sorte minha de ter vc como amiga “de verdade”, sem custos!
Vc escreve muito bem, kaká!
Abração.
karyne
November 24th, 2007 at 10:23 pm
E William… penso que é por aí mesmo. AMIGO não cobra!! Se tá afim de cobrar, dê qualquer outro nome para isso!!
bj grande a todos!! E a gente se vê pelos posts!!
tino
December 2nd, 2007 at 3:19 am
rosi meire
April 23rd, 2008 at 1:21 pm
karyne
April 24th, 2008 at 1:34 am
pelo que entendo, não há um curso. A pessoa simplesmente vende um serviço de amizade, assim como um professor vende horas de aulas particulares.
Obrigada pela visita!